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  • Chef Valéria Germano

Aprenda a precificar da forma correta e comece a ganhar dinheiro com confeitaria!

Atualizado: Mai 24


Começar um negócio de confeitaria, seja ele abrindo uma loja ou fazendo doces em casa para vender, é um meio de ter uma renda extra, que com o passar do tempo pode até se tornar sua renda principal.


Mas, como em qualquer negócio, você precisa ter lucro!


E para que isso aconteça você precisa precificar corretamente seus produtos.


Você deve conhecer alguma confeiteira que trabalha sem parar e nunca tem dinheiro para nada. Se ela não vender o que produziu hoje não terá dinheiro para comprar ingredientes para produzir amanhã.


Na ânsia de vender mais, algumas pessoas colocam seus preços abaixo dos preços da concorrência e fazem isso sem nenhum cuidado com seu negócio.

Resultado, vendem mais, mas podem não estar ganhando dinheiro nenhum. Algumas vezes estão até pagando para trabalhar sem nem se darem conta disso.


É importante que seus produtos tenham um preço competitivo, principalmente quando você está começando.


Para isso você deve fazer uma pesquisa de mercado para saber o preço de seus concorrentes.


Depois que seu trabalho ficar conhecido e a qualidade de seu produto for reconhecida e valorizada você pode se preocupar menos com a concorrência pois a qualidade do seu trabalho vai falar mais alto na escolha dos seus clientes.


Mas como calcular corretamente os preços dos produtos, de forma que sejam justos e que estejam dentro do preço de mercado?


Coisas importantes antes de calcular o preço dos produtos:


1. Tenha ficha técnica de todos os seus produtos


Ficha técnica é a receita de cada produto, com todos os ingredientes, a quantidade e valor de cada ingrediente, o rendimento da receita e o modo de preparo.


Clique aqui para baixar a ficha técnica imprimível!


2. Preencha a ficha técnica corretamente, prestando atenção às unidades de cada ingrediente


Todos os ingredientes devem estar na mesma unidade de medida, ou seja, todos os secos em quilos (Kg) ou gramas (g), todos os líquidos em litros (l) ou mililitros (ml) e alguns ingredientes em unidades, como ovo, por exemplo. O ideal é usar sempre a unidade de medida que você compra do ingrediente.


3. Mantenha a ficha técnica atualizada


Fique atenta aos preços dos ingredientes.


Sempre que houver uma alteração significativa destes preços você precisa atualizar a ficha técnica, porque isso vai influenciar no preço de seu produto.


Assim, conhecendo seu negócio e analisando o mercado você consegue decidir se seu negócio consegue suportar aquele aumento de preço ou se você terá que aumentar o preço do seu produto.


Como calcular o preço dos produtos:


O preço de qualquer produto é formado pelos seguintes componentes:


- .Custo da Mercadoria Vendida (CMV)


É a soma das despesas e valores empregados nas operações para produzir e embalar as mercadorias. Ou seja, o preço pago pelos ingredientes e pelas embalagens.


- Gastos Operacionais (GOP)


São todos os custos que não se relacionam à produção, mas que são necessários para que o negócio exista. Por exemplo: aluguel, material de escritório, marketing, seguros, impostos, energia, água, gás etc.


- Gastos com Mão de Obra (GMO)


São todos os gastos com pessoal, inclusive seu pró-labore, que é o salário do empreendedor.


Se você trabalha sozinha é o seu salário.


- Lucro


É o que sobra depois que foram pagos todos os outros gastos. É o salário da empresa.


Para uma empresa que produz o que vende, que é o caso de uma confeitaria, estas parcelas do preço devem ficar assim:


CMV - entre 25% e 35% do preço do produto

GOP - no máximo 25% do preço do produto

GMO - no máximo 30% do preço do produto

Lucro - entre 10% e 20% do preço do produto


Vamos falar um pouco sobre o lucro


Você pode estar pensando que 10 a 20% de lucro é muito pouco!

Afinal algumas pessoas dizem que tem mais de 100% de lucro. Como isso é possível?


Primeiro você deve saber que não existe lucro de 100% porque o lucro é calculado sobre o preço de venda e não sobre o preço de custo.


A definição de lucro diz que ele é o que sobra depois que foram pagas todas as despesas e gastos da empresa. Então, se você conseguir 10 a 20% de lucro na sua empresa, ou no trabalho que você faz em casa, saiba que você está indo muito bem!


Esse lucro é usado para o andamento da empresa no dia-a-dia e seu crescimento.


Ele pode ser usado como capital de giro, para compra de ingredientes e insumos, como embalagens, por exemplo, para suas receitas, como investimento em novos equipamentos, como uma reserva para emergências ou para o que a empresa precisar.


No final do exercício, que normalmente é no final do ano, você poderá retirar da empresa parte dos lucros acumulados, desde que isso não prejudique a empresa.



OBS:


Nunca, em hipótese nenhuma, você deve misturar seu dinheiro com o dinheiro da empresa. São duas pessoas diferentes. Você é uma pessoa física (PF), com CPF e a empresa é uma pessoa jurídica (PJ), com CNPJ. Mesmo que você não tenha uma empresa aberta formalmente, respeite esta regra de ouro para que seu trabalho seja economicamente viável.



Feitas todas estas definições e dado este alerta vamos ao cálculo do preço do seu produto...


É bem simples!


Vamos a um exemplo prático:


Você comprou ingredientes para fazer um bolo, colocou todos os preços e quantidades na ficha técnica e viu que o valor ficou em R$ 20,00.


Então o preço de venda desse bolo deverá ser entre R$ 57,00 (20 ÷ 35%) e R$ 80,00 (20 ÷ 25%).


Outro exemplo:


Você compra ingredientes para fazer uma receita de brigadeiro e gasta R$ 15,00.

Você sabe que uma receita rende 30 brigadeiros de 15 g cada.

Então o preço de venda da receita de brigadeiro será entre R$ 42,85 (15 ÷ 35%) e R$ 60,00 (15 ÷ 25%)


Assim cada brigadeiro deverá ser vendido por um preço entre R$ 1,43 (R$ 42,85 ÷ 30%) e R$ 2,00 (R$ 60,00 ÷ 30%),


Claro que você deve arredondar estes preços.


No caso dos brigadeiros eles poderão ser vendidos por um preço entre R$1,50 e R$2,00. O bolo você pode vender entre R$60,00 e R$80,00.


Lembrando que esse é um preço líquido, ou seja, caso você tenha empresa aberta e precise pagar impostos, os impostos devem ser acrescidos ao preço dos seus produtos.


Analise seu mercado, clientes e concorrentes para decidir que preço deve cobrar, dentro desta faixa.


Você deve estar se perguntando:

“E os outros componentes do preço? O que eu faço com eles?”


Eles servem para gerir seu negócio.


Com eles você consegue saber se está gastando muito com gastos operacionais, com mão de obra e que atitude terá que tomar. Às vezes será economizar naquele determinado item, às vezes vender mais, aumentando o faturamento. Na maioria das vezes será uma combinação destes dois.


Dá até para você criar estratégias para aumentar seu pró-labore, seu salário.


Por exemplo, se você quiser ter um pró-labore de R$ 3.000,00 por mês, qual deverá ser seu faturamento? Basta dividir R$ 3.000,00 por 30%. Você deverá vender R$ 10.000,00. Agora é só montar uma estratégia para isso e colocar a mão na massa.


Lembre-se que o valor financeiro do pró-labore não deve ser fixo, e ele sempre dependerá do faturamento.

O ideal é que seja em torno de 30% das vendas do mês.

Ele é a última despesa a ser paga. Isso significa que se algum mês for ruim de vendas pode ser que seu pró-labore precise ser menor.


Isso é ruim, mas é isso que vai garantir a saúde financeira e econômica de sua empresa.


E lembre-se, uma empresa bem sucedida garante que seu pró-labore será pago sempre e poderá até aumentar de valor conforme aumenta o faturamento da empresa.


Legal né?


Trabalhando com carinho com seu produto e com seu cliente, precificando corretamente e divulgando bem seu produto, não tem como dar errado!


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